O que aprendi com os asiáticos….

Em 2012, como parte do processo de formulação da estratégia de longo prazo do Sebrae Paraná decidimos conhecer pessoalmente as melhores referências no mundo em fomento ao empreendedorismo e inovação. Tínhamos a convicção de que necessitávamos “pensar grande” e ampliar nossos horizontes. 

Os aprendizados das três missões internacionais realizadas foram publicados no livro “Estratégia para Crescer” e disponível para download em: http://goo.gl/KBA0rK. Tive o privilégio de conhecer países como Singapura, Coreia do Sul, Malásia e Tailândia. Ao final da viagem, em julho de 2012, publiquei algumas reflexões no blog que criamos para compartilhar nossas impressões. Ao reler esse post considerei  oportuno transcrevê-lo para o blog, uma vez que as conclusões permanecem muito vívidas em minha mente e mesmo que naquele ano o cenário para a economia brasileira fosse muito mais positivo do que a situação atual.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Eu compartilho da opinião do escritor inglês Samuel Johnson:

“Viajar só tem vantagens: Se formos para países melhores, podemos aprender a melhorar o nosso. Se pararmos em países piores, podemos passar a apreciar o nosso.”

Antes de qualquer coisa, agradeço ao SEBRAE/PR pela oportunidade das aulas de desenvolvimento econômico “in-loco” que experimentei. Nas pouco mais de 3 semanas em que estivemos na Ásia tive a oportunidade de observar e discutir diversos aspectos do desenvolvimento de uma nação que não tive mesmo com os anos de estudo. Há nuances culturais, sociais e políticos que interferem no desenvolvimento econômico e que somente poderia conhecer conversando com as pessoas que conversei, visitando as instituições e sentindo o clima do local.

Essa missão fortaleceu ainda minha convicção de que foco, planejamento e perseverança são cruciais para o sucesso. Aprendi que não há limites para o empreendedorismo e para a transformação de uma sociedade e de um país. E não preciso dar exemplos a partir das instituições de apoio as MPEs e ao empreendedorismo que visitamos e cujas reflexões estão muito bem relatadas nos posts deste blog. Na Coréia do Sul, conhecemos IFEZ (Incheon Free Economic Zone), uma imensa área próxima a Seoul que há 10 anos atrás era mar e que hoje abriga imensos arranha-céus e já atrai as melhores universidades do mundo e grandes multinacionais. Em Dubai, conheci uma cidade criada no meio do deserto em que as áreas verdes só existem graças a milhares de quilômetros em encanamentos de irrigação. Curiosamente, as visitas me fizeram lembrar de um filme que havia visto há muitos anos e que, refletindo melhor agora, possui uma forte mensagem sobre o comportamento empreendedor. No filme “Campo dos Sonhos” o personagem, interpretado pelo ator Kevin Costner, tem uma visão e constrói um campo de baseball no meio de uma plantação de milho no interior dos EUA, atraindo os melhores jogadores de todos os tempos. Nesse filme havia uma “voz” sempre lhe dizendo... “if you build it, they will come” (“se você construir, eles virão”). Penso que isso se aplica muito bem ao que descobrimos por meio dessa missão. É preciso antes de tudo ter uma visão, acreditar que é possível, planejar e executar. Se você criar as oportunidades e as condições para a atração de negócios, eles virão ou surgirão. 


Na década de 1950 a renda per capita da Coréia do Sul era de pouco mais de US$ 70 dólares (isso mesmo setenta dólares por ano); Dubai e Singapura eram vilas de pescadores. As fotos neste blog falam por si mesmas sobre o grau de desenvolvimento que estes países lograram e que, comparados com o Brasil, têm uma situação muito mais adversa em termos de recursos naturais. Nesse sentido, pude recordar uma ideia sobre desenvolvimento econômico debatida na academia, especialmente na década de 1990. A tese da “maldição dos recursos naturais” foi amparada em evidências empíricas de que países com uma abundância em recursos naturais (sobretudo petróleo) tenderiam a crescer de forma mais lenta que países com recursos mais escassos. Coréia e Singapura suportam essa evidência, sendo absolutamente escassos em recursos naturais, desenvolvendo suas economias a partir de um modelo de crescimento baseado em exportações/comércio exterior.

Aliás, esse modelo de industrialização orientada para exportações, amplamente adotado pelos “tigres asiáticos”, ainda que em uma nova roupagem combinada com serviços e novas tecnologias, continua a mostrar-se bem sucedido para o desenvolvimento dos países (ainda que o foco hoje seja a inovação e conhecimento), mesmo após a crise monetária de 1997. Sei que é clichê, mas é impossível deixar de notar o quão global é o nível de competição ao qual as empresas estão submetidas! Na Malásia visitamos uma pequena empresa que produz biscoitos, exporta 70% da produção para China e recentemente descobriu que sua marca estava sendo “pirateada” por competidores chineses. Em Singapura, visitamos uma startup em fase de pré-encubação formada por uma singaporeana, um sueco, uma norueguesa e uma sul-africana e que produz luvas para frio e que podem ser utilizadas em telas sensíveis ao toque de smartphones. Pois bem, essa firma já está viabilizando canais de distribuição nos principais países com invernos rigorosos do mundo. A internacionalização está no DNA dessas empresas!

Nesse sentido, possivelmente devido ao amplo mercado doméstico que temos no Brasil o mercado externo ainda está fora do radar da grande maioria das MPEs brasileiras. Mas se o Brasil almeja de fato ser um importante player no mercado mundial não podemos ignorar o papel que as micro, pequenas e médias empresas deveriam buscar. Temos vantagens comparativas na produção de commodities, isto é fato. Mas esse modelo se prova cada vez menos sustentável. A competição lá fora é feroz e os governos asiáticos têm políticas consistentes que procuram desenvolver o novo “hidden champion”, isto é uma nova LG, Samsung ou Hyundai. As instituições de apoio que visitamos, de uma forma geral, procuram não “atender” uma pequena empresa, mas sim “desenvolvê-la” (juntamente com seus CEOs, líderes) para que possam crescer, criar empregos e exportar.

Outra conclusão que trago da viagem é que um Estado “pró-business”, isto é, voltado a melhorar sua posição no ranking “doing business” do Banco Mundial e assim aprimorar o ambiente de negócios, não é necessariamente um Estado liberal, ou seja, adepto do laissez-faire. A história do governo da Coréia do Sul, Malásia, Singapura e Dubai é de um Estado forte, atuante e diria intervencionista. É a historia do planejamento e execução da estratégia de desenvolvimento de um país. Provavelmente os asiáticos devem ter algo similar ao provérbio latino “res, non verba”, pois levam muito seriamente a execução dos planos e metas, ou seja, “ação e não palavras”.

Mas e ai? O que pode ser feito? O objetivo da missão é fazer um benchmarking com instituições internacionais acerca de políticas de apoio a inovação e empreendedorismo. Em um processo de benchmarking é preciso a todo momento comparar o Brasil e o SEBRAE com a instituição visitada, identificando as boas práticas e pensando em formas de adaptá-la à realidade local. Nenhum dos países se compara ao Brasil em termos de área de população. Certamente é muito mais complexo planejar um país com as dimensões continentais e tamanhas disparidades regionais que observamos no Brasil. Contudo podemos começar pelos municípios e pelo Paraná. Temos boas instituições no Estado do Paraná e os recursos não são necessariamente escassos. Porém, por não haver um claro plano de desenvolvimento do país e do Estado, os recursos não são empregados com a eficácia e efetividade que poderiam.

Nos países visitados, o arranjo institucional claro, com os papéis das instituições bem definidos, somados a um claro objetivo a ser alcançado resulta na eliminação de sobreposições e melhor aplicação de recursos. Tenho consciência das diferenças regionais no Brasil, mas podemos afirmar que de fato demos importantes passos nos últimos anos no que se refere à redução da pobreza e inclusão social. Está ai a “nova classe média”. Eu arrisco dizer que está na hora de dar um passo adiante, de rever as políticas assistencialistas, e planejar um Brasil “classe mundial”. Com o recente crescimento da renda e o surgimento de muitas oportunidades de negócios a política econômica deveria voltar-se à eliminação dos entraves aos negócios (complexidade tributária, infra-estrutura precária, etc.).

A despeito de todos os problemas o Brasil é um excelente país para se viver e mesmo para se fazer negócios. Imagina então o que poderia ser desse país se os entraves à competitividade fossem eliminados? Sou apaixonado pelo país e otimista de que podemos deixar à geração de meu filho um país melhor.

Post original: http://pelaasia.blogspot.com.br/2012/07/reflexoes-finais-por-fabio-ono.html

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Sobre Fabio Hideki Ono

Um economista em busca de aprendizado e que acredita que boas práticas de gestão podem efetivamente levar ao desenvolvimento sustentável.

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3 comentários:

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